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Após 13 anos na Comarca de Pilar, defensor público propõe “Ação de Saudade em desfavor do tempo”

“Ação de Saudade em desfavor do tempo”, que ele diz ser uma “sucessão de anos, dias semana, horas, minutos e segundos”

23/12/2019 15h27
Por: Ary Ramalho
Fonte: Por Cândido Nóbrega
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Após 13 anos atuando na Comarca de Pilar, o defensor público Fábio Liberalino da Nóbrega foi promovido para a Capital e se despediu dos colegas e servidores da comarca de origem - bem como dos defensores e juízes que o antecederam - encaminhando à juíza substituta Higyna Josita Simões de Almeida uma “Ação de Saudade em desfavor do tempo”, que ele diz ser uma “sucessão de anos, dias semana, horas, minutos e segundos”.

Na petição, que, prontamente, foi acolhida pela magistrada, ele lembra que nesse período, serviu na Comarca de Pilar como em um sacerdócio franciscano, ouvidor dos reclamos populares, dos mais humildes e desabastados da terra que o adotou como filho.

“Durante todos esses anos estive, na condição de acólito da Justiça Pública do meu Estado, de modo especial da minha Pilar, fazendo o bom exercício da minha atividade fluir o bem para todos aqueles que me procuraram no seu desespero, na sua angústia, no seu problema maior que parecia não ter solução, uma solução de conforto”, testemunhou.

“Decerto”, continua o defensor na sua petição escrita em poesia, as pessoas que o procuraram em momentos de desespero, transferiam para ele os problemas que passavam a lhe pertencer à medida que rogavam os seus interesses, implorando da justiça o direito sagrado que lhes fazia jus.  “O tempo, o senhor de tudo, foi passando e, durante todos esses anos, nada pude lhes ensinar, só aprendi”, admitiu.

Advogado dos pobres

“Aprendi com Antônio, Maria, João Pedro os ensinamentos para caminhar no ofício que recebi das mãos de Deus, advogado dos pobres. Se não pude atendê-los dentro da grandeza que representaram para mim, só me sobra pedir desculpas por todas as minhas falhas”, afirmou, acrescentando que leva a certeza do dever cumprido e a consciência tranquila de que nenhuma injustiça praticou com aqueles que a vida já injustiçou pela falta de oportunidade em resgatar o seu direito de cidadão.

“E, em se tratando de gratidão, não devemos nos distrair, nem, tampouco, deixar de demonstrá-la, pois se trata de sentimento que tende a envelhecer facilmente e se esvair com o tempo”, fundamentou na petição.

Amizade eterna

Já em relação aos servidores, Fábio Liberalino destacou que, com eles, aprendeu muitas lições de vida. “Não poderia, em minhas últimas razões deste Fórum de Pilar, deixar de agradecer-vos pelo carinho e respeito como sempre me trataram, a amizade cultivada durante estes 13 anos que será eterna. É um sentimento que apenas nos fortalece. Assim, se em algum momento machuquei alguém, rogo minhas desculpas”, acrescentou.

Ele também não esqueceu os juízes e promotores de justiça Nilton Lira, Antonio Eymar, Max Nunes, Luciana Rodrigues, Higyna Josita, Helder Ronald, Aldedenor Medeiros (em memória), Rosa Carvalho, Onéssimo Cruz, Francisco Seraphico (Kiko), Marinho Mendes e Fernando Sátiro. A todos eles, Fábio Liberalino estende seu reconhecimento.

Dos pedidos

Após fazer suas considerações, Fábio pediu :

- Que Deus guarneça o Fórum de Pilar com sua proteção e dê sabedoria a todos os que vão permanecer por lá e aos que chegarão futuramente;

- Que Ele o permita a conservar o sentimento de dignidade ao seu desiderato (aspiração), orientando seus caminhos, conservando seus olhos e seus atos, mantendo a dignidade e o despojamento, esteja onde estiver;

- A oitiva daqueles que tiverem sede de justiça e foram pela Defensoria Pública saciados;

 - Por último, ele espera ter deixado boas marcas. “Marcas que, talvez, sirvam de exemplos para os que aqui (em Pilar) ficam e para todos aqueles que chegarem”.

Decisão da juíza

Diante do que foi exposto pelo defensor público, a juíza Higyna Josita, assim se manifestou: “Defiro os pedidos formulados por Vossa Excelência, acolhendo-os e reconhecendo a minha incompetência humana para julgar o pedido direcionado a Deus, nesta poesia sobre a Defensoria. Resta-me unir às súplicas e determinar a expedição de alvará dos respectivos valores que ficarão na conta de sua história e na saudade de nossa memória”.

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