Banner Inecardio
lucro

ONGs recebem ajuda através de empresa da Paraíba que converte compras em doações

Empresa criada há dois meses contribui com a ONG Milagre Sertão e a ONG Banco de Alimentos, e já conseguiu arrecadar 208 kg de alimentos e 356 lápis/canetas para educação.

05/01/2020 20h35
Por: Ary Ramalho
Fonte: G1-PB
26
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Uma empresa criada na Paraíba há dois meses contribui para uma rede solidária que já conseguiu arrecadar 208 kg de alimentos e 356 lápis/canetas para educação. A ideia da "plataforma de doações" foi desenvolvida há apenas dois meses e atualmente ajuda as ONGs Milagre Sertão e Banco de Alimentos.

A proposta da "Isso Não É" visa tornar a solidariedade algo que pode ser feito diariamente, de forma simples. Ao comprar um brownie, por exemplo, o consumidor do produto está ajudando uma causa e que aquele valor é transformado em doação.

Através de parceria com empresas que revendem esses produtos em seus estabelecimentos, a "Isso Não É" transforma o hábito de consumo em uma doação involuntária. Quem doa, ajuda as instituições, quando na verdade só comprou um alimento. Por fim, as instituições recebem doações de inúmeras pessoas através de uma só mão.

Do exemplo, a ideia

Foi na vontade de fazer o bem e facilitar a vida de quem quer ajudar e ser ajudado que a caminhada do empresário Caio Nogueira, de 34 anos, começou. Na cabeça, a ideia de transformar a solidariedade num gesto comum. No papel - mais precisamente numa embalagem -, o selo de quem compra um produto e converte o consumo em doação.

Transformar um brownie, por exemplo, em um prato de comida para quem tem fome, água para quem tem sede, material escolar para quem precisa estudar, é o lema da empresa “Isso Não É”.

Após uma viagem em que, entre uma refeição e outra, conheceu uma barrinha de cereal americana que convertia o valor da barra em doação de suplemento vitamínico hipercalórico para crianças subnutridas na África, que Caio despertou. Mas, a decisão de levar um impacto positivo e transformar fins veio de uma inquietação que a esposa provocou nele. A mulher queria doar R$ 100 para uma instituição, mas Caio percebeu que aquele era um mês difícil para casal, porém poucos dias depois ele se inscreveu num curso de R$ 3 mil.

“Isso me intrigou bastante porque eu não tinha dinheiro para doar mas tinha para fazer esse curso. Ficou claro para mim que doar é uma questão de prioridade e de estar inserido na sua rotina”, explicou.

Depois de estudar e se inspirar na empresa americana, o empresário entendeu que precisava de mais e que só um produto talvez não conseguisse ajudar tantas pessoas. Foi quando decidiu criar a "Isso Não É" e compartilhar com outras empresas o propósito da solidariedade. A ideia era tornar o ato de doar uma ação repetitiva, como uma cadeia em que o gesto transformasse e melhorasse a vida de alguém. Depois de quase dois meses, comercializando produtos para consumo diário, como um brownie e ou pizza, já foram doados 208 kg de comida e 356 lápis/caneta para educação.

A ajuda para quem precisa

Nas mãos de quem precisa, a ajuda. A ONG Banco de alimentos, que luta contra a fome, é beneficiada pela "Isso Não É". Assim como a instituição Milagre Sertão, que atua atende às famílias que vivem na zona rural das cidades paraibanas desde 2013, levando doações de alimentos, roupas, brinquedos e outros itens de necessidade básica, além de oferecer serviços de apoio à comunidade, como atendimento médico.

A Milagre Sertão ainda tem uma linha de atuação baseada na busca por soluções contra a seca, como a implantação de sistemas de comércio solidário sustentável, instalação de poços, cisternas, realização de cursos de capacitação para o melhor aproveitamento dos recursos naturais e amenizar os efeitos do fenômeno natural.

 

A vice-presidente da Milagre Sertão, Marcele Jardim, explicou como funciona a parceria. "A 'Isso Não É', nos procurou com o intuito de fazer doações específicas voltadas para educação, com ações que envolve a doações de lápis e materiais nesse sentido para comunidades assistidas", afirmou.

Ela ainda acrescentou que o repasse é mensal e é revertido pensando na educação. Até o último dia 14 de dezembro deste ano, foi doado 356 materiais para a Milagre Sertão.

"A Milagre Sertão é fruto de doações. Ficamos felizes sempre em sermos lembrados. Quando sentimos que as pessoas têm espírito de colaborar para o que realmente acreditam, ficamos felizes e gratos em perceber isso", completou Marcele Jardim.

 

A ONG Banco de Alimentos atua há 21 anos em São Paulo, nas áreas de alimentação, educação nutricional e conscientização. Nesses pilares, o trabalho da instituições é baseado no conceito de colheita urbana e identificam aqueles produtos que perdem valor comercial nos mercados e indústria, mas ainda estão próprios para consumo.

Logo, assim que o produto perde valor comercial, ele é doado para a Banco de Alimentos e é repassado para 41 instituições sociais. Essas instituições acolhem pessoas com câncer, em situação de rua, deficiente intelectuais abandonados, idosos.

 

Além de entregar alimentos, a ONG se preocupa em transformar a sociedade através da educação alimentar e, juntamente com estudantes de nutrição, leva oficinas para os cozinheiros que trabalham nestas instituições para ensinar sobre o aproveito de alimentos e evitar o desperdício. Há ainda atividades que identificam a necessidade nutricional de cada instituição.

Apesar de atuar em São Paulo, a empresa leva conscientização para todo país através através do site e das redes sociais, com mensagens e postagens que falam de mudança de hábitos alimentares.

De acordo com Gabriel Monteiro, Coordenador de Comunicação da ONG Banco de alimentos, essa parceria traz um impacto social forte e importante para transformar vidas. "As pessoas acabam sabendo do nosso trabalho e das nossas ações, a 'Isso Não É' consegue fazer com o cliente enxergue o propósito social do produto que ele está vendendo e a pessoa que doa fica feliz em ter uma experiência de compra que gera um impacto positivo em algum lugar", afirmou.

 

Doações de várias maneiras

A "Isso Não É" ampliou o elo e deu as mãos a outras empresas por meio de Pontos de Transformação (PDT). Ao invés de pontos de venda, é possível encontrar os produtos que levam a mensagem de doação e apoio em estabelecimentos comerciais que compartilham da vontade de causar impacto social positivo. Atualmente, são nove empresas de segmentos como alimentício, bares, cafeterias que abraçaram a ideia e vendem os produtos que geram solidariedade.

As ONGs ainda recebem doações de diversas outras maneiras. A Milagre do Sertão, recebe donativos (roupas, alimentos, brinquedos) deixados nos pontos de arrecadação que podem ser encontrados no site da instituição. Ainda é possível ser um apoiador e se cadastrar também no site e escolher o que quer doar. E assim como a 'Isso Não É', as doações podem acontecer através da loja da Milagre, no Instagram, onde 100% do lucro da loja é revertido para o projeto.

A Banco de Alimentos pensa em futuros melhores e os torna possíveis através de doações que podem ser feitas no site da ONG. No site, há opção "doe", onde as doações podem ser feitas automaticamente, todo mês, através de um cartão, ou através de doações de alimentos.

 

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários