Banner Inecardio
oportunidade

Influenciador digital pode ser peça-chave nas eleições

A eleição do presidente da República Jair Bolsonaro com o advento do WhatsApp é uma prova disso

09/02/2020 19h48
Por: Ary Ramalho
Fonte: Jornal Correio
99
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Que as campanhas realizadas nas últimas eleições são elaboradas e executadas, em grande parte, nas redes sociais e plataformas digitais, todos nós sabemos. A eleição do presidente da República Jair Bolsonaro com o advento do WhatsApp é uma prova disso. Mas o processo eleitoral deste ano pode guardar surpresas. É que especialistas apostam na contratação de influenciadores digitais como grandes impulsionadores das propostas dos candidatos.

Em termos de mídia, isso não é nenhuma novidade, pois se trata de uma prática que já existe desde os tempos do rádio e do jornal, mas que no mundo online vem ganhando contornos cada vez mais nítidos no cenário brasileiro.

O publicitário Xhico Raimerson, da MIX Comunicação, aposta na ação de influenciadores já na pré-campanha. Hoje eles são encontrados, basicamente no Instagram e no youtube. Segundo Raimerson, eles são autoridades no conteúdo que se propõe a defender.

“Aliar-se com estes profissionais, desde que, seja natural dará alcance e credibilidade nas propostas dos candidatos; Eu só não sei se é bom para o influenciador aliar sua imagem a política, esse mercado é muito sensível. Mas os profissionais já estão habituados (uma grande parte) a se posicionar com naturalidade do ambiente deles. Acredito que essa será a novidade deste ano”, destacou o publicitário.

De acordo com ele, nesse quesito, é necessário um estudo aprofundado da vida do influenciador; sobre os seus posicionamentos públicos para então observar se vale a pena utilizá-lo para uma campanha eleitoral.

O especialista em marketing digital e empreendedor, Alek Maracajá, também acredita ser provável que alguns políticos usem “influencers digitais”, para alcançar mais adeptos, porém acredita ser difícil de avaliar, visto que os seguidores dessas personalidades podem deixar de seguí-los por causa de posições partidárias.

É simples compreender a lógica por trás desse fenômeno dos influenciadores, sobretudo graças à internet e às redes sociais, onde eles geram um alcance muito maior de suas opiniões e as tornam facilmente localizáveis. Geralmente os influenciadores têm poder de ação e convencimento sobre as pessoas.

Outro ponto que deve ser observado é a redução de recursos para as campanhas. Isso também influenciará a execução das estratégias que devem ser adotadas seja para eleição de prefeito ou de vereador. As equipes deverão trabalhar de maneira muito mais técnica, já que o engajamento irá contar muito mais do que a quantidade de postagens, justamente pelo fato dos candidatos estarem trabalhando com equipes mais reduzidas.

Vale lembrar que é permitido fazer campanha na internet por meio de blogs, redes sociais e sites. Partidos e candidatos poderão contratar o impulsionamento de conteúdo (uso de ferramentas, gratuitas ou não, para ter maior alcance nas redes sociais). Porém está proibido o impulsionamento feito por pessoa física.

Para Maracajá, no atual cenário ainda não existe favoritismo. Pesquisas antecipadas frustram, alimentam ou iludem, mas ainda não definem. “Todas as ações que culminarão na consolidação ou não de campanhas políticas envolvidas no processo vindouro irão depender, como sempre acontece, de variáveis que interferem diretamente na cabeça do eleitor. Então planejamento, estudo e análise será muito importante para atuar nesse mundo (selva) digital de forma certa”, observou.

Fake news na estratégia

Os especialistas acreditam que o uso das fake news pode ser altamente estratégico, independentemente de antiético ou ilegal, para as campanhas políticas. Em muitos casos, os objetivos são claramente traçados. Os alvos claramente determinados. As mentiras cuidadosamente escolhidas e difundidas para públicos específicos, previamente determinados. A mesma técnica apurada de mídia comercial, usada para uma campanha política.

De acordo com Alek Maracajá, outra aposta é justamente essa, a criação de ‘bots’ e automação para envio em massas, para responder ao público e para possivelmente criar fake news. “Já se foi o tempo em que mensagens genéricas geravam efeitos positivos no eleitorado. Hoje, com o avanço das tecnologias, o público está cada vez mais exigente e, até mesmo, difícil de agradar. Para impressionar, é necessário segmentar bem o conteúdo”, destacou o especialista.

Candidatos conectados

O publicitário Xhico Raimerson disse que a cada nova eleição a campanha na internet tem obtido mais relevância e espaço na estratégia dos partidos e candidatos. “Já vivemos o tempo em que sites, mídias sociais, “flash mob” e transmissões web, foram novidades em campanhas. Eu diria que agora podemos esperar que a experiência dos profissionais envolvidos na campanha, candidatos mais abertos e conectados e o conteúdo bem elaborado será o grande diferencial”, disse.

Xhico não resume a campanha apenas às mídias sociais. Para ele, devem ser usadas todas as plataformas digitais em favor do candidato. Site, celulares, aplicativos, transmissões web, podcast’s, guia eleitoral de rádio e tv, todos convergindo e se completando, além, claro, das próprias mídias sociais.

“Com o conteúdo produzido para os públicos alvos específicos e na linguagem de cada um. Devemos esperar também um aspecto negativo que acompanhou as últimas campanhas que são as “fake news”, ataques e engajamento massivo de robôs nos perfis de mídias sociais e no whatsapp”, observou.

Para o publicitário, estar preparado para essas ações vai exigir da comunidade (redes sociais) uma proximidade e acesso ao candidato para que as notícias falsas não encontre eco e as respostas sejam dadas de maneira mais rápida possível, daí a necessidade de profissionais qualificados.

Engajamento. Os candidatos devem criar diálogos com os seus fãs, seguidores e admiradores e, também dos seus críticos. E a janela para isso, segundo Xhico Raimerson, já está aberta, com o período de pré-campanha. “Já sabemos que em algumas campanhas o período pré-eleitoral é até mais estratégico que a campanha em si. Já não temos o alcance orgânico como antigamente pois as empresas de mídias sociais diminuíram muito o alcance, obrigando os políticos a promoverem as suas postagem”, disse.

Observando o cenário atual, o publicitário aconselha os candidatos a se posicionarem, deixarem claro aos eleitores o que eles defendem e acreditam. Isso, segundo ele, vai atrair o cidadão que pensa igual.

“Elaborar propostas e metas realizáveis para resolução de problemas, apresentar às pessoas que o cercam e defendem sua candidatura. Enfim, produzir conteúdo transparente e criar laços muito próximos com seus eleitores. Um exemplo prático é o uso do Instagram.

Devemos aproveitar o potencial imediato e de maior alcance com os stories para nos manter na lembrança dos seguidores; criando destaques de momentos de posicionamento, família, trabalho e direções de soluções de problemas para a cidade. E no feed ou time line expor o conteúdo que necessita registro atemporal e fácil consulta dos seus seguidores”, explicou Xhico.

Economia sem garantias

O especialista em marketing digital, Alek Maracajá, assegura ainda que os políticos vão usar os recursos, principalmente por serem meios gratuitos e de massa. Porém, segundo ele, isso não quer dizer que podem conseguir alcançar o alvo desejado. Para Alek, é necessário ter uma equipe que possa compreender bem os algoritmos, conhecer bem as estratégias de marketing digital e que possam saber contar bem a história, ou seja: roteiro, texto com atração para identificação e campanhas focadas em compartilhamento orgânico.

“Também pela primeira vez, metade da camada mais pobre do Brasil está oficialmente na internet: 48% da população nas classes D e E, acima de 42% em 2017. São 46,5 milhões de domicílios com acesso à internet, 67% do total. E em 2020 digital ainda mais terá força exponencial nas eleições”, destacou.

WhatsApp terá mais força

A plataforma de mensagem instantânea, WhatsApp, desde as eleições 2014 que é primordial nas estratégias de difusão de propostas e medidor em tempo real, do calor das discussões eleitorais, assim como o Twitter. Mas também pode ser a maior dor de cabeça para candidatos e Justiça Eleitoral, pois os “bot’s” (robôs) estão agindo fortemente nesta plataforma, disseminando falsas notícias e ataques aos candidatos.

“É no WhatsApp que você recebe em primeira mão a boa e a má notícia. Isso exige atenção da equipe de campanha. Do ponto de vista de suporte a campanha, lá podemos organizar em grupos e listas todos os setores importantes de uma campanha municipal.

Como? lideres de bairro, coordenadores de campanha, setor jurídico, comunicação, cabos eleitorais entre outros e ter uma comunicação instantânea”, revelou Xhico.

Para Alek Maracajá, o WhatsApp continuará exercendo o seu papel de massificar as imagens, textos e links diversos, principalmente os que tem títulos e chamadas com atração.

A estratégia, conforme Maracajá, será montar grupos partidários, divididos com pessoas que vistam e abracem a ideia de compartilhar toda semana e depois em dias, os valores e propostas para amigos, familiares e colegas de trabalho.

“Sempre vamos ouvir com atenção os mais próximos, por isso o Whatsapp se tornou tão poderoso, pois você a considerar dicas, sugestões e compras de amigos e familiares”, observou.

Uma pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade (Cetic), divulgada no final do ano passado, mostra que o número de brasileiros que usam a internet continua crescendo: subiu de 67% para 70% da população, o que equivale a 126,9 milhões de pessoas.

Mudança no marketing

As recentes mudanças na Lei das Eleições têm reconfigurado o marketing político, especialmente no que diz respeito às estratégias de campanha no mundo digital. Ações como o impulsionamento de publicações no Facebook e Instagram contam agora com regras específicas, incluindo a prestação de contas sobre as publicações patrocinadas, a responsabilização pela remoção de conteúdos considerados ofensivos e a contratação direta por meio das plataformas de mídias sociais.

Além disso, segundo Alek Maracajá, as alterações na Lei estabelecem o direito de resposta também no meio digital e com o mesmo impulsionamento (caso tenha ocorrido). Além do direito de resposta, caso seja comprovada a prática criminosa, o candidato pode ser condenado ao pagamento de uma multa variando entre R$5 e R$30 mil ou, dependendo do caso, o dobro do valor do impulsionamento utilizado na publicação original. No caso de uma ofensa registrada em comentário de usuários, a suposta agressão deverá ser julgada pela autoridade eleitoral responsável, seguindo o mesmo processo de outros tipos de propaganda eleitoral.

As mudanças também incluem a proibição do uso de perfis falsos e robôs, embora a efetividade deste tipo de investigação ainda seja um ponto delicado para o poder público. Mas nem tudo na nova Lei diz respeito às restrições. A liberação da compra de palavras-chave em buscadores, por exemplo, trouxe uma alternativa versátil para a estratégia de campanha. A Lei permite ainda que o candidato publique seu site, ou do partido; envie mensagens para endereços cadastrados; publique blogs e sites de mensagens instantâneas.