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Arte de furtar

“Secular sermão do bom ladrão se aplica à Paraíba recente”, diz defensor público

“O sermão do bom ladrão pronunciado em 1655, na Igreja da Misericórdia, em Portugal, pelo padre Antônio Vieira, tratava de coisa similar entre nós na Colônia"

15/03/2020 06h37
Por: Ary Ramalho
Fonte: Por Cândido Nóbrega
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O defensor público paraibano Martinho Carneiro Bastos recorreu ao padre jesuíta Antônio Vieira (que viveu alguns anos no Brasil do século XVI) para trazer à tona os escândalos que recentemente abalaram a Paraíba, envolvendo o até então insuspeito ex-tudo (nas políticas estudantil, sindical e partidária, Ricardo Coutinho) mais de 300 anos depois de escritos alguns sermões do pároco, como o do “Bom Ladrão” e o de “Santo Antônio aos Peixes”.

O  defensor não cita o nome, mas se refere à ex-secretária estadual de Administração, Livânia Farias, pessoa de confiança do ex-governador Ricardo Coutinho, que, em delação, “deixou  a Paraíba perplexa com sua inusitada notícia-crime”.

Perversa roubalheira

Em sua avaliação, Livânia deu informações “que apontam para a existência de uma gerência de esquema  criminoso no Estado que agora desabou sobre nós. Em confissão de culpa, a ex-secretária não hesita em incriminar comparsas à míngua de alguma leniência em eventual condenação que, de direito, lhe imporá o Estado-Juiz. Ela expôs a mais perversa roubalheira já existente nos anais da história da Paraíba”, sustenta o defensor público.

Para ele, os relatos estarrecedores da ex-secretária evidenciam a ocorrência de um estado particular dentro do Estado oficial, “com vantagens ao primeiro, sob o possível comando de algum gestor público inescrupuloso, uma simbiose perfeita existente de gestão pública com interesses particulares”.

Arte de furtar o erário

“O sermão do bom ladrão pronunciado em 1655, na Igreja da Misericórdia, em Portugal, pelo padre  Antônio Vieira, tratava de coisa similar entre nós na Colônia. No além-mar, o radar sacro, diferente da Província, denunciava no Evangelho: roubo, propina e desvios em negócios na Coroa,  inclusive, no  Brasil-Colônia”, frisa o defensor na sua comparação.

 Com perplexidade, a imprensa noticia, segundo ele, que a Paraíba está atolada num mar de lama na arte furtar o erário.

Bons exemplos

Desde Mém de Sá (terceiro governador-geral  Brasil colônia até agora, Brasil-República),  nosso Estado sempre foi governado por homens sérios como  José Américo de Almeida, Argemiro de Figueiredo, Ivan Bichara Sobreira e tantos outros  paraibanos ilustres.

 No Parlamento, os políticos puxavam sempre o cordão de legítimas ações em favor de nosso povo. A exemplo disso, com duração efêmera, no Senado, Dr. Roberto Cavalcanti, político,  empresário e capitão de empresas, pela força de sua mente e pela eficácia de seu trabalho foi posto senador, em resto diminuto de mandato, o que também foi  uma exceção: nos deu a senha de como deve ser feita a política na República.

“Antes, os políticos só dignificavam suas biografias: a honradez era a sua marca. Ele fez diferente e orgulhou a Paraíba no tempo em que foi senador.  Fez parte do rol de políticos que tem a honradez como marca. Hoje, há exceções, mas existe uma banda pobre na política: com mera ocupação de poder, nenhum interesse público e só atividade furtiva de indivíduos que degeneram os hábitos na política: são “os ninguéns, os nenhuns”, os anões  do orçamento, os que não têm nome, nem memória, nem história,  nem espírito público porque não têm nada. Para todos aí, salvo raras exceções, a política é uma fonte lucrativa, a forma mais vil de servir ao Estado em face dos  interesses do povo”, conclui o defensor público.

 

 

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