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Hugo Motta é cotado para assumir liderança do governo na Câmara

Os nomes mais cotados são do deputado Ricardo Barros (Progressista-PR), que foi ministro da Saúde do governo Michel Temer e líder no governo de Fernando Henrique Cardoso, e do deputado Hugo Motta (PB)

21/05/2020 08h44
Por: Ary Ramalho
Fonte: Estadão
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Na dança das cadeiras que o governo está fazendo para acomodar o Centrão, o próximo que irá perder o lugar para o grupo é o líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO). O Estadão apurou que o ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Fernando Ramos, informou a líderes da Câmara que a troca será realizada para atender a nova base de apoio do presidente no Congresso e a indicação será feita pelo líder do Progressista (ex-PP), deputado Arthur Lira (AL).

Os nomes mais cotados são do deputado Ricardo Barros (Progressista-PR), que foi ministro da Saúde do governo Michel Temer e líder no governo de Fernando Henrique Cardoso, e do deputado Hugo Motta (PB). Embora seja do Republicanos, Motta é próximo de Lira e seria uma indicação da cota pessoal do parlamentar. E João Roma Neto (PRB-BA).

Lideranças do Centrão dizem que, na prática, Arthur Lira é o líder informal do governo. Nos grupos de WhatsApp desses deputados circularam nesta quarta-feira, 20, um vídeo que mostra o esforço do deputado em defender o governo diante da resistência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de retirar da pauta o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Não posso acreditar nesse ministro (Abraham Weintraub, da Educação)”, disse Maia ao informar ao plenário que iria votar a urgência do projeto a não ser que o próprio Bolsonaro se comprometesse publicamente com o adiamento.

“Vossa excelência tem todo direito de esperar a posição do presidente da República, claro, mas se o ministro já comunicou a portaria em nota oficial a votação perde o objeto. Vai votar uma coisa que está resolvida”, afirmou Lira. O esforço era para evitar uma derrota do governo num assunto de ampla repercussão. Não se ouviu a voz do atual líder do governo.

O plenário do Senado já havia aprovado projeto adiando a prova, com o voto contrário apenas do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente. O que certamente se repetiria na Câmara nesta quarta-feira.

Após a posição de Maia, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nota anunciando o adiamento do Enem e atribuindo a decisão a “demandas da sociedade” e a “manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia”.

Outra atribuição típica do líder do governo tem sido feita pelo deputado Arthur Lira nos últimos dias. Ele tem feito reuniões para buscar aumentar o apoio do governo no Congresso. O Estadão mostrou nesta quarta que o deputado chegou a brigar com o líder do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), que não aceitou a oferta de cargos em troca de integrar a base de Bolsonaro no Congresso. Até agora, o governo já contemplou com cargos o Progressista, o Republicanos e o PL.