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Em redes sociais, professor da UFCG diz que mulheres ficam “latindo e reclamando”

O professor Francisco das Chagas Fernandes Guerra escreveu um texto insinuando que só homens fazem trabalhos mais pesados, perigosos ou insalubres e propondo para as mulheres que reclamam fazer uma troca. Com palavras de baixo calão, ele disse que ficaria cuidando das crianças e fazendo a comida se a mulher sustentasse a casa.

12/10/2020 21h23
Por: Ary Ramalho
Fonte: Paraíba Todo Dia
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Um professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) causou polêmica após fazer uma postagem machista nas redes sociais na qual diz que mulheres ficam ”latindo e reclamando”. O caso será investigado pela comissão de ética da universidade.

O professor Francisco das Chagas Fernandes Guerra escreveu um texto insinuando que só homens fazem trabalhos mais pesados, perigosos ou insalubres e propondo para as mulheres que reclamam fazer uma troca. Com palavras de baixo calão, ele disse que ficaria cuidando das crianças e fazendo a comida se a mulher sustentasse a casa.

A reitoria da UFCG divulgou uma nota em que afirma que ”o respeito às diferenças não dá lugar a nenhuma forma de manifestação racista, sexista ou alguma forma outra de apontamento preconceituoso contra qualquer coletivo”. De acordo com o texto, uma comissão de sindicância foi formada para apurar o caso.

A Assembleia Legislativa da Paraíba, através da Comissão de Direitos da Mulher e da Comissão Parlamentar de Inquérito do Feminicídio – CPI do Feminicídio, também divulgou nota de repúdio pelas declarações do professor.

Leia as notas de repúdio na íntegra:

Nota-Reitoria

A Universidade Federal de Campina Grande é plural em todos os sentidos e, por isso mesmo, convive com as mais variadas posturas políticas, ideológicas, culturais e religiosas, esperando de toda a sua comunidade acadêmica uma harmoniosa convivência democrática em que as diferenças são respeitadas.
O respeito às diferenças não dá lugar a nenhuma forma de manifestação racista, sexista ou alguma forma outra de apontamento preconceituoso contra qualquer coletivo.

Desta forma, a Reitoria da Universidade Federal de Campina Grande vem a público, manifestar o seu repúdio a qualquer expressão de preconceito e de ataque aos inegociáveis princípios dos direitos humanos, notadamente àquelas recentes manifestações, registradas em rede social, por docente da Instituição, que se mostrou desrespeitoso na convivência com as diferenças.

A Reitoria, zelando os princípios e valores que embasam a Universidade Federal de Campina Grande, não apenas repudia o ato desrespeitoso como também manifesta solidariedade às pessoas e aos coletivos que foram desrespeitados pelas mencionadas manifestações.

E por entender que, mesmo no âmbito da vida privada, a liberdade de expressão não pode ferir a dignidade alheia, e considerando a legislação a que está submetido qualquer servidor público, uma comissão de sindicância foi tempestivamente constituída, para apurar o caso, que será matéria de análise também pela Comissão de Ética da Universidade Federal de Campina Grande.

Nota ALPB

A Assembleia Legislativa da Paraíba, através da Comissão de Direitos da Mulher e da Comissão Parlamentar de Inquérito do Feminicídio – CPI do Feminicídio, vem a público repudiar o comentário misógino publicizado nas redes sociais pelo professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Francisco das Chagas Fernandes Guerra.

A luta pela emancipação da mulher é, hoje, objeto de discussão, estudos e ações em diversos espaços, inclusive nas universidades públicas, visando a mudança social e eliminação de todas as formas de opressão. Todavia, a manifestação do professor é reveladora ao destacar a ignorância sobre a questão de gênero. É mister destacar que este apedeutismo, associado a uma cultura patriarcal, reproduz a misoginia em todos os setores da sociedade, independente do grau de escolaridade, renda ou idade.

O comentário repudiado revela, além do obscurantismo histórico e político forjado pelo patriarcado, a objetificação da mulher e a violência preponderante nas mentes dos que ainda não conseguiram se emancipar, nem minimamente, do machismo. Ademais, desconsidera o trabalho como um fazer coletivo, na atividade doméstica e não doméstica, remunerada e não remunerada.

Com a luta feminista, a divisão social do trabalho vem passando por transformações significativas. Hoje estamos presentes nas mais diversas áreas, ocupando cargos de chefia, de liderança política, entre outros, seja a labuta intelectual ou braçal.

Nós, como representantes no Legislativo Estadual da batalha pela eliminação de qualquer forma de discriminação contra a mulher, expressamos nossa total indignação e repressão à esta publicação. As palavras impertinentes, misóginas e vergonhosas proferidas pelo professor são de profunda desconsideração à dignidade das mulheres, ecoando um discurso que permite, sanciona e incentiva a violência doméstica, o feminicídio e todas as formas de abuso, psicológico ou físico, que insistem em diminuir a nossa existência e a nossa moral.

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